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Pedras na Mochila: Como se livrar do peso na sua jornada

Ilustração de uma mulher com mochila amarela, olhando para o horizonte, representando a superação de desafios na vida. Ao lado, o título "Pedras na Mochila: Como se livrar do peso na sua jornada" está escrito em letras amarelas sobre um fundo roxo.

Semana passada, falei sobre hábitos atômicos e como eles podem ajudar a construir a disciplina e a motivação que você precisa para fugir da procrastinação, manter o foco e construir os hábitos necessários para atingir seus objetivos. Agora, vamos voltar à mesma história que contei: imagine você subindo uma montanha. Você olha para o topo, ao longe, com o sol batendo, um céu azul, aquele lugar de paz e tranquilidade, o destino que você está buscando.

Mas ainda há uma caminhada pela frente, e você já aprendeu que olhar para trás serve para impulsioná-lo ao ver tudo o que já conquistou, toda a jornada que já percorreu, celebrando cada pequeno passo dado. E ao olhar para frente, você sabe que conseguirá alcançar o topo se mantiver a direção e a consistência, mesmo que devagar, porque o mais importante não é a velocidade.

Então, por que, mesmo sabendo de tudo isso, às vezes a jornada ainda é tão difícil? Você pega sua mochila, apoia-a no chão e, ao abrir, ela está cheia de pedras — pedras que você foi juntando ao longo da sua vida. É sobre essas pedras que vamos falar hoje, e a última é a que mais pesa.

Nossa vida é formada por momentos, alguns mais duradouros, outros mais breves; alguns felizes, outros nem tanto. Mas, de forma geral, tudo que acontece conosco tem um início e um fim. Para cada momento desses, escolhemos o que fazer com ele. Sim, quem escolhe é você; ninguém impõe o significado que você dá a esses momentos — essa escolha é puramente sua. E é você quem decide colocar essa pedra na sua mochila.

Pedra da Incerteza

Imagine uma pessoa que cresceu em um ambiente onde os pais constantemente mudavam de emprego ou cidade. O pai era vendedor de carros e a mãe trabalhava no ramo imobiliário. Por questões financeiras, eles estavam sempre buscando um local com mais oportunidades de crescimento para proporcionar uma vida melhor aos filhos. Para a criança, isso era intangível; ela apenas percebia que, quando começava a se acostumar com a escola e com os amigos, tudo mudava.

Nesse contexto, ela pode ter internalizado a ideia de que nunca se pode contar com o futuro, criando uma mentalidade de insegurança e incerteza em relação ao planejamento de vida a longo prazo. No futuro, isso pode se manifestar como dificuldade em tomar decisões importantes, medo de se comprometer com objetivos e uma sensação constante de ansiedade em relação ao futuro.
Ao mesmo tempo, ela poderia aprender que a vida é feita de mudanças e que precisa saber se adaptar para ter uma vida mais plena, fortalecendo sua mentalidade de crescimento. Veja que o significado dos momentos foi dado pela própria pessoa, e não pelos pais ou pelo contexto.

Pedra da Expectativa Não Atendida

Agora vamos ver um outro caso: uma pessoa que cresceu em um ambiente familiar altamente exigente, onde os pais esperavam que seus filhos fossem os melhores nos esportes e tivessem notas sempre acima de 9. Nesse cenário, a criança pode desenvolver a crença de que só será valorizada ou amada se alcançar essas expectativas irreais dos pais.

Com o tempo, ela pode se sentir constantemente pressionada a corresponder às expectativas dos outros, resultando em uma sensação de fracasso e inadequação quando essas expectativas não são atendidas. No futuro, isso pode levar a uma autoestima prejudicada, medo de falhar, dificuldade em estabelecer metas realistas e uma super preocupação com o que os outros pensam.
Mas ela poderia interpretar isso de outra forma, como “eu preciso sempre buscar o meu melhor” para alcançar seus objetivos. Note que não é “eu preciso sempre alcançar o que os outros querem”, mas sim o “meu melhor”. Esse é mais um caminho para construir uma mentalidade de crescimento.

Pedra da Autossabotagem

Imagine agora uma pessoa que enfrentou críticas constantes e negatividade por parte dos pais, colegas de trabalho, professores e até parceiros. Em algum momento, essa pessoa tende a internalizar essas mensagens negativas e desenvolver uma baixa autoestima, acreditando que não é digna de sucesso ou felicidade.
Isso, de forma inconsciente, pode levá-la a sabotar suas próprias oportunidades, seja procrastinando, evitando desafios ou se colocando em situações onde é mais provável falhar. Imagine o impacto disso em sua vida profissional e pessoal.

Claro que ninguém gosta de ser criticado, mas críticas sempre farão parte da nossa vida. Mesmo quando são negativas — e até cruéis —, nós não controlamos a forma como elas nos chegam.
Mas aqui está a grande lição: controlamos como vamos recebê-las. Podemos escolher filtrar e absorver apenas o que vai nos ajudar a melhorar, ignorando as críticas que não têm viés construtivo.
E lembre-se: o rótulo que os outros colocam em você não o define. Anote aí: “Você não é o que os outros dizem que você é”. Se alguém diz que você é mentiroso, isso não faz de você um mentiroso. Se dizem que é preguiçoso ou incompetente, isso também não o torna preguiçoso ou incompetente. Evite levar a sério o que os outros dizem sobre você.

Aprender a filtrar as críticas e saber que você não é um rótulo fortalecerá sua mentalidade e autoestima.

Pedra da Culpa

Para finalizar, vamos falar da pedra mais importante, na minha opinião. Muitas vezes, em um relacionamento, você pode se sentir responsável pela infelicidade ou problemas do seu parceiro(a). Mesmo que a causa desses sentimentos não esteja diretamente ligada às suas ações, você pode começar a se sentir culpado por não conseguir fazer o outro feliz.
Esse sentimento pode se aprofundar se o parceiro(a) tentar manipulá-lo emocionalmente ou atribuir a você a responsabilidade pelos problemas.
Falo aqui de um relacionamento pessoal, mas isso pode acontecer em qualquer relação, inclusive no trabalho, onde você pode ser responsabilizado por um erro ou resultado que não foi causado por você.

E muitas vezes, esse relacionamento, seja pessoal ou profissional, termina, mas a culpa permanece, limitando suas decisões futuras.

Essas foram apenas algumas das pedras que podem surgir ao longo da vida. Existem várias outras, que se manifestam como crenças limitantes e tornam sua jornada mais cansativa. Agora que você já conhece algumas dessas pedras e os conceitos por trás delas, pode decidir se elas estarão na sua mochila enquanto sobe a montanha em direção ao seu destino, ou se vão servir para pavimentar o seu caminho.

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