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Segurança Psicológica

Segurança Psicologica

Você sabe o que é Segurança Psicológica ?

Antes de explicarmos o que é Segurança Psicológica, é preciso voltar um pouco no tempo e entender como a forma como executamos o nosso trabalho no dia-a-dia, mudou ao longo do tempo. Há muito tempo, as pessoas tinham como principal atividade executar tarefas repetitivas diariamente, um modelo industrializado conhecido também como Indústria 2.0. Nós saímos desse modelo repetitivo para um onde a criatividade e inovação são constantemente fomentadas, um modelo que renova a nossa forma de pensar e executar as tarefas.

Mas para que possamos desenvolver essa criatividade e dar ideias que possam melhorar o nosso trabalho e fazer com que a nossa empresa cresça, é necessário que tenhamos um ambiente psicologicamente seguro, ou seja, um ambiente onde as pessoas promovem uma cultura na qual todos são incentivados a propor ideias e se arriscar, sem medo de ser julgado.

Nova Era – Mundo VUCA

Vivemos em um mundo VUCA, um mundo de alta volatilidade, complexidade e ambiguidade, onde temos que nos reinventar a cada dia. Uma era totalmente digital, onde ser criativo e inovador faz parte de um conjunto de habilidades essenciais ao profissional de hoje em dia. Habilidades que podem ser facilmente podadas, se este profissional conviver em um ambiente tóxico, com políticas de comando e controle, onde frases como “eu pago você pra fazer e não pensar” são comuns de ouvir.

Diversos estudos recentes, relacionados a era da jornada do colaborador (Employee Experience) mostram que o sentimento que ele tem em relação ao trabalho é determinante não apenas na sua continuidade na empresa, mas também na sua automotivação e produtividade.

Parte dessa felicidade se dá pela interação humana e apoio mútuo. A Segurança Psicológica tem como um dos principais objetivos criar um ambiente onde as pessoas sabem que poderão correr riscos sem medo de serem punidas ou penalizadas. Elas podem ser transparentes em ações, como pedir uma ajuda a outra pessoa, propor uma ideia ou até mesmo reconhecer que não sabe algo sem medo do que irão pensar.

Essas demonstrações de vulnerabilidade conectam pessoas. Quem é que gosta de uma pessoa que não erra nunca, que está sempre certa ou que sabe mais que todo mundo? Às vezes quando você encontrar alguém assim você até se afasta. Mas quando você encontra alguém por quem tem empatia, que assume os riscos e não tem medo de errar. Aquele profissional que compartilha conhecimento, ouve e propõe ideias, isso gera uma conexão humana muito forte.

Você está em um ambiente com Segurança Psicológica?

Existe uma forma simples de saber se você está em um ambiente psicologicamente seguro. Pense nos seguintes cenários:

  • Você está em uma reunião com o C level da empresa e tem uma dúvida ou ideia, você se sente confortável para falar ou tem medo de ser criticado?
  • Se você não concorda com o que ele está dizendo ou com o que alguém da sua equipe disse, você expressa sua opinião ou acha que isso vai dar confusão?
  • Como você é visto se comete um erro? As pessoas fazem a famosa caça às bruxas ou você tem espaço para assumir, entender e aprender com o erro?  Ou será que é tipo tribunal, tudo que você disser poderá ser usado contra você?
  • Quando você tem alguma dúvida ou problema, você se sente confortável pra pedir ajuda ou isso é visto pelos outros como um sinal de fraqueza?
  • Quando uma colega de equipe se mostra mais assertiva, é comum ouvir piadinhas do tipo “ela está de TPM”?
  • Como a sua empresa ou sua equipe lida com diferenças? Sejam diferenças ideológicas, de opinião, de modelo de trabalho, de credo, raça, sexo? Isso é indiferente ou ainda existe algum tipo de preconceito?

Esses são apenas alguns pontos relacionados à segurança psicológica, mas que podem afetar tremendamente o seu trabalho e o seu relacionamento.

O que acontece em um ambiente tóxico?

A pesquisadora e professora da Universidade de Harvard, Amy Edmondson, vem estudando sobre esse tema desde seus primeiros trabalhos em 1999. Em um de seus experimentos, em ambientes hospitalares, ela quis comprovar que quanto maior for o grau de segurança psicológica maior a quantidade de erros coletados. A pesquisa foi realizada em oito hospitais, onde alguns tinham um ambiente psicologicamente seguro e outros que não tinham. Ela percebeu que nos hospitais em que os funcionários sabiam que seus erros seriam entendidos e perdoados eles se sentiam mais à vontade para relatar e aprender, traçando ações que ajudassem a mitigar e até mesmo evitar que os mesmos aconteçam novamente.

Já nos hospitais onde a segurança psicológica era baixa, a maioria dos erros não era relatado pois as pessoas temiam ser repreendidas e punidas.  Dessa forma nada se aprendia sobre aqueles erros ou até mesmo nada era feito para evitar que eles voltassem a acontecer.

Percebam que não ter problemas nem sempre é um sinal positivo. Porém, não conhecer seus problemas pode ser muito mais prejudicial do que conhecer e tratá-los. A maioria dos ambientes tóxicos tem a mentalidade de que “se ninguém viu não tem problema e se alguém viu não vou falar que fui eu”

O resultado da sua pesquisa revelou que há mais erros em ambientes psicologicamente seguros, mas que a segurança psicológica prevê melhorias na qualidade, comportamento de aprendizagem e produtividade.

Projeto Aristóteles

O Google realizou em 2013 um estudo intitulado “Project Aristotle” que mostrou que equipes de alta performance tinham como a principal característica a segurança psicológica.

Você já deve ter ouvido falar daquele caso emblemático do Google, ocorrido em 2018 em que um estagiário causou um prejuízo de 10 milhões por conta de um erro.  O erro do estagiário poderia ter sido muito mais caro e hoje a Google estimula que seus funcionários encontrem os erros e os corrijam, sem uma política punitiva.

Outras empresas, como as startups, costumam seguir um lema parecido: “Fail fast, Learn Fast” (erre rápido, aprenda rápido), pois entendem que quanto mais cedo você erra mais “barato” esse erro custa para empresa e mais rápido ela pode aprender e mudar. Por exemplo, o lançamento de um produto que seria um fracasso total no futuro.

Ambiente tóxico geram desmotivação, esgotamento psicológico e muitas vezes leva a uma síndrome de ansiedade, burnout e até depressão. É muito importante a empresa manter o foco em promover um ambiente de inovação psicologicamente seguro.

Principais aspectos de um ambiente de Segurança Psicológica

Um ambiente de segurança psicológica tem quatro principais aspectos:

1) Segurança em SE EXPRESSAR:

  • Os membros da equipe podem se pronunciar, expor problemas, trazer ideias e questionar o Status-Quo, ou seja, questionar o “sempre foi assim”.

2) Segurança em INTERAGIR:

  • Os membros da equipe podem pedir ajuda, engajar em conversas difíceis, dar e receber feedback.

3) Segurança em APRENDER:

  • Os membros da equipe podem fazer perguntas, inovar, arriscar, errar e aprender com os erros.

4) Segurança em PERTENCER:

  • Os membros da equipe sentem-se apoiados e valorizados, e que ninguém irá prejudicá-los ou rejeitá-los deliberadamente.

Como criar e promover um ambiente de Segurança Psicológica?

Algumas práticas relacionadas aos aspectos citados anteriormente, podem ser realizadas:

  1. Esteja aberto a dar e receber feedbacks. Não implemente a cultura do “fodeback”, onde as conversas de feedbacks sempre são para trazer problemas e assustar a equipe.
  2. Seja tolerante a erros e a diferenças, não ache que tudo tem que ser feito do jeito que você sabe ou que sempre foi feito. Entenda que para inovar é preciso testar e testes podem ter resultados positivos ou negativos e em ambos os casos, podemos aprender.
  3. Promova a participação de todos de forma estruturada, mostrando que todas as perguntas, dúvidas, questionamentos e ideias são bem vindos.
  4. Provoque o diálogo em casos de sucesso e em casos de fracasso, facilitando o aprendizado.
  5. Incentive as pessoas a dizer como estão se sentindo. Expresse gratidão, seja humano, conte sobre seus problemas e ajude as pessoas da equipe a lidar com os delas.
  6. Seja inclusivo nas decisões, deixe que as pessoas participem, entendam e se sintam parte do todo. Faça com que todos participem, mesmo que com um post-it e com o tempo todos vão se sentir mais à vontade de colaborar.
  7. Pratique a escuta ativa e empatia, esteja disponível e PELO outro, ou seja, esteja ali para ouvir e entender a posição do outro. Se livre de suas crenças e julgamentos.
  8. Pratique uma liderança vulnerável, que aceita que pode errar e sabe pedir desculpas quando necessário. Não seja um líder terrorista que todos temem porque tem mãos de ferro.
  9. Trate cada um como adulto, delegue responsabilidades e resultados e não tarefas no modelo comando e controle. Empodere as pessoas e acredite no potencial de cada um e não fique frustrado se o resultado for diferente da sua expectativa, celebre e mentore.

 

E mais do que práticas, um ambiente psicologicamente seguro é aquele onde as pessoas sentem orgulho de trabalhar, e esse é o maior indicador de que a empresa está no caminho certo.

 

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