Uma dupla de dois

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Casamento

Este é um post especial! É um post comemorativo do meu aniversário de casamento.

Essa semana fiz 14 anos de casamento com a minha esposa e decidi falar um pouco sobre o que, na minha visão, tem feito o nosso casamento dar certo.

O dia do casamento

Há 14 anos atrás eu dizia sim, para algo que eu não fazia a menor ideia, mas eu sabia que iria mudar totalmente a minha vida.

Eu sempre tive uma visão romantizada do casamento. Sabe quando você acha que viver junto é a coisa mais maravilhosa do mundo? Poder namorar a hora que quiser, viajar sem restrições e ter o nosso cantinho?

A verdade é que, o casamento é um conjunto completo, temos romance, drama, suspense. A Tati fala que é uma série e que cada temporada é diferente da anterior. No fundo é bem assim mesmo.

No início, começamos a nos conhecer de verdade e entender o que cada um tinha de vícios e hábitos. Conhecer as nossas qualidades e defeitos mais de perto e principalmente aprender a lidar com o fato de que nossas individualidades, desse dia em diante, seriam diferentes.

Isto é um ponto onde eu acho que muitos casamentos terminam. As pessoas entram no casamento querendo manter os hábitos de antes, sem abrir concessão e impondo as suas vontades.

Entenda que, o ponto não são os hábitos e sim as novas responsabilidades. Fazer comida, cuidar da casa, tomar conta dos gastos da casa, fazer compras, lavar roupas, e muito mais.

Se apenas um dos dois absorve essas novas responsabilidades o casamento fica desbalanceado. Sendo bem sincero, eu não entendi isso quando comecei o meu casamento. Eu não tinha nem muitos hábitos da minha vida de solteiro, mas eu assumi que a Tati gostava de cuidar das coisas da casa.

Obviamente, era confortável para mim porque eu não gostava de fazer coisas da casa, exceto cozinhar. Durante muito tempo isso não foi um problema para gente, mas isso mudou pesou muito quando o Gabriel nasceu. Mas eu vou contar isso mais para frente.

Os primeiros anos do casamento

Nos primeiros anos do nosso casamento, viajávamos muito. Era mochilão, road trip! O importante era todo ano fazer uma a duas viagens.

Tínhamos mentalidade financeiras diferentes! Eu sempre fui muito mão de vaca e com isso eu gastava pouco e juntava todo o resto. Achava que deveria juntar tudo que tinha e não gastar com coisas que eu achava supérfluas. Ela também tinha uma forma de juntar, mas era diferente da minha. Ela juntava parte do seu salário e era livre para gastar o resto.

Isso me incomodava porque eu queria juntar! Queria ter dinheiro para ter um apartamento, carro e viajar o tempo todo.  Tivemos muitos atritos por conta disso.

Eu queria impor a minha forma para ela e ela queria impor a forma dela para mim. Sabe quem ganhou no final? Os dois! Acabamos nos adaptando e eu aprendi que tinha o direito de gastar meu dinheiro com algo que gostasse, sem aquela neura de me juntar tudo que pudesse e ela aprendeu que não é porque sobrava que ela tinha obrigação de gastar tudo.

Juntamos, viajamos, compramos um apartamento e tivemos o primeiro grande aprendizado da nossa vida, a gente não precisa estar certo e escolher um lado.

Mas antes que você ache que a parte financeira melhorou e nunca mais teve problemas, saiba que tudo isso é cíclico de tempos em tempos a gente precisa sentar-se e conversar sobre o assunto. Quando algo sai do eixo, um mês que fecha no vermelho ou uma conta de cartão que vem maior do que o normal.

A gravidez

Nesse meio tempo veio a primeira gravidez. Foi algo planejado, algo que queríamos muito, um desafio que ainda tínhamos medo, mas que estávamos prontos. Mas não estávamos prontos para o que aconteceu. Infelizmente no meio da gravidez a Tati teve um aborto espontâneo e perdemos o bebê.

Foi um momento difícil. Nunca tinha sentido esse tipo de dor, mas ela não nos afastou. Muito pelo contrário, ficamos mais próximos e mais juntos. Queríamos nos curar juntos, cuidando um do outro e nosso relacionamento se fortaleceu. Mas criou um medo, uma cicatriz, que levamos dois anos para curar e aí veio o Gabriel.

Foi um tipo de amor diferente de tudo que a gente tinha vivenciado. Um amor incondicional, extremo e o mais importante que tudo, um amor que exigia tempo, dedicação, atenção constante.

Foi uma época difícil. Quem olhava de fora via apenas fotos bonitas com sorrisos, mas não sabia das noites mal dormidas, do cansaço, da exaustão e de colocar de lado muitas coisas que eram importantes para gente.

Nós nos afastamos, não fisicamente. Eu ia trabalhar, voltava e ficava com Gabriel enquanto ela descansava. Cuidávamos melhor dele do que cuidávamos de nós mesmos e do nosso relacionamento.

Aqui vem um ponto importante. Todo desequilíbrio acaba impactando o relacionamento. Mudando o comportamento, o humor e às vezes pode até acabar com um casamento que às vezes estava ótimo.

A culpa não é da criança, não é sua e nem da sua esposa ou marido. Geralmente isso acontece simplesmente por falta de comunicação e falta de buscar um equilíbrio. Nessas horas é importante manter a sua individualidade e principalmente a do casal.

Sim, nós nos tornamos pais, mas colocamos isso em primeiro plano. Deixamos de lado praticamente tudo que nos identificava como pessoa e casal.

 

Trabalho como prioridade! E o casamento, como fica?

Sabe quando eu me sentia melhor? No trabalho! Quando eu era admirado e reconhecido por quem eu era e não por algo relacionado a paternidade. Era o meu vínculo ao tempo de antes de ser pai.

O trabalho então se tornou prioridade. Era cada dia mais tarde. Sempre tirava um tempo para continuar depois do expediente. Era realmente uma boa desculpa, quem não aceitaria, certo?

Então chegamos no limite do nosso relacionamento e decidimos que nada era mais importante do que a gente e a nossa família. Nada deveria desviar o foco de sermos os mesmos.

Nosso relacionamento melhorou, Gabriel cresceu, viajamos, tudo estava começando se encaixamos novamente e chegou nossa princesa Tais. Completando a nossa família. Sim, nós a queríamos, planejamos e não iríamos cometer os mesmos erros que nos afastaram.

Mesmo com as coisas melhorando, eu ainda tinha o trabalho como fuga. Era algo que me fazia sentir mais feliz e completo. Seis meses depois da Taís nascer, fui dispensado.

Se você acha que isso gerou um impacto no nosso relacionamento, saiba que gerou sim! Fiquei mais próximos dos meus filhos, passei dar mais atenção a eles e a Tati. Passei a ser mais servidor e entender que isso era algo que me fazia bem, mas ao mesmo tempo algo aconteceu.

Lembra que eu tinha minha fuga, meu trabalho? Sem isso eu passei a criar uma dependência emocional muito grande da Tati. Era como seu eu precisasse da aprovação e admiração dela e sem isso eu não conseguiria ser feliz.

Por outro lado, ela começou a se destacar e crescer na sua carreira. Aquele momento que eu tive, agora estava sendo vivenciado por ela. Mais uma vez nos afastamos, mas dessa vez eu me sentia muito vulnerável.

Nova pessoa

Eu não gostava dessa nova pessoa empoderada, que tinha seu trabalho como algo que a definia e onde era admirada. Sentia raiva, porque era com esse trabalho que eu dividia as atenções e uu não queria saber de nada que ela viesse a trazer do trabalho dela.

Nosso relacionamento quase acabou pela segunda vez, e novamente quem olhava de fora só via uma família feliz. Afinal nunca abrimos nossos problemas para ninguém e tenho certeza de que essa é uma das razões que sempre conseguimos passar por eles, porque não deixamos que ninguém influencie no nosso relacionamento.

Dependia só de nós dois para que esse relacionamento desse certo. Meu pai ficou doente, eu quase pedi demissão do novo trabalho porque não me sentia feliz. Não pudemos mais viajar e eram muitas coisas para lidar.

E todas essas crises nos uniram. Melhoraram o nosso relacionamento e fizeram com que a gente fosse mais corajoso para falar as verdades. Para dizer o que pensamos e para parar de julgarmos um ao outro, respeitando que somos diferentes.

A doença

Então a doença do meu pai piorou. Estamos no meio da pandemia e isolados. Nos momentos de crise ficamos mais fortes. Nós apoiamos em todos os sentidos e hoje, depois de 14 anos de casado posso dizer com toda a certeza de que estamos em um dos melhores momentos do nosso casamento.

 

A mensagem aqui é simples. Ser feliz e ter um casamento pleno, não tem relação com dinheiro, viajar ou ter um apartamento para morar. As vezes nem sempre com amor, porque aquela paixão avassaladora muda.

O Casamento é formado por tudo que vocês vivem juntos. Não é apenas nos momentos bons que você fortalece o seu casamento. É muito fácil dizer eu te amo debaixo da Torre Eiffel. Mas é nos momentos de crise, que você realmente percebe o quanto você quer ficar com o outro. O quanto ele é importante para você, por opção, independente dos problemas que vocês possam er vivenciado

Tenham certeza, os problemas virão e passarão! Porém seu relacionamento só depende de como vocês vão encarar esses problemas, juntos ou literalmente separados.

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