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Por causa de um prego perdeu-se a guerra

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No turbilhão da vida, muitas vezes nos deparamos com desafios aparentemente insuperáveis e oportunidades que parecem fora de alcance. Nessas situações, é fácil nos sentirmos pequenos e impotentes, incapazes de fazer a diferença em um mundo tão vasto e complexo.

Essa é uma reflexão que quero trazer aqui, mostrando como pequenas ações individuais podem desencadear grandes consequências, tanto para o bem quanto para o mal.

A História do Ferreiro e o Prego

Imagine a seguinte cena: um ferreiro ocupado em sua oficina, habilmente martelando uma ferradura para um cavalo. De repente, percebe que está sem pregos e decide que este pequeno prego não fará tanta diferença. Uma pequena falha, aparentemente insignificante.

No dia seguinte, um soldado vem buscar o cavalo e levá-lo para seu comandante no estábulo do castelo. Durante as semanas seguintes, o comandante galopa sem grandes problemas, treina com seus soldados e verifica o perímetro do castelo com sua guarnição. Porém, no final da tarde, chegam notícias de que um reino próximo, rival, está marchando em direção ao castelo e deverá chegar na manhã seguinte.

O comandante inicia a preparação de seu exército para defender o reino, arqueiros, infantaria e ele à frente dos cavaleiros para comandar e organizar toda a estratégia. Ao nascer do dia, as primeiras sombras do exército inimigo se aproximam. O comandante inspira seu exército com palavras de motivação e os incita à vitória, e eles partem para o encontro com seus rivais.

Ao se aproximarem da batalha, a ferradura do cavalo do comandante se solta. Se estivessem em terreno plano, talvez nada tivesse acontecido, mas estavam em uma colina com terreno desnivelado, e o cavalo tropeça, jogando o cavaleiro à distância. Em poucos segundos, a notícia se espalha, a carga dos cavaleiros pára e a batalha toma um rumo totalmente diferente do esperado. A moral do exército cai e eles perdem essa batalha, e com ela, o reino.

A simples negligência de um prego levou a uma cadeia de eventos que culminaram na perda de um cavalo, de um cavaleiro, de uma batalha e, por fim, de um reino inteiro.

Impacto das Ações Individuais

Essa história nos lembra que nossas ações individuais, por menores que pareçam, podem ter um impacto significativo no mundo ao nosso redor. E isso está acontecendo o tempo todo em nossa vida sem que percebamos.0

Exemplos Cotidianos

Imagine o cenário onde um profissional envia um e-mail ou mensagem para seu líder pedindo ajuda ou um feedback. Este e-mail, entre outras atividades, não é respondido. Parece insignificante, mas essa ação pode levar à insatisfação da pessoa, que começa a ter uma visão negativa do líder, da empresa e do trabalho que realiza, sentindo-se negligenciada e isso impacta sua motivação e produtividade.

Em casa, ele sente pressão para permanecer no trabalho porque sente que precisa disso para a qualidade de vida de sua família, para conseguir um lugar onde morar e dar uma boa educação para seus filhos. Mesmo que nenhum deles cobre isso, é apenas uma autocobrança que gera um sentimento de angústia.

Esse sentimento de angústia contamina os outros colegas de equipe, que por empatia, começam a compartilhar da visão negativa em relação ao líder, à empresa e ao trabalho que realizam. Aos poucos, os resultados da equipe pioram e tanto o líder quanto o time acabam sendo substituídos.

Claro que trouxe dois cenários exagerados aqui, mas muitas vezes uma opinião não expressada, uma conversa não realizada, um feedback não dado, geram impactos que não são percebidos, na carreira, na vida pessoal, na felicidade própria ou dos outros.

Reflexões sobre Atitudes e Consequências

Assim como um prego perdido pode desencadear uma série de consequências desastrosas, uma pequena atitude positiva também pode gerar um efeito dominó de mudanças positivas.

Às vezes, um simples “bom dia” ou segurar a porta para alguém que está com as mãos ocupadas pode mudar o dia da pessoa e até os relacionamentos que se criam.

Todos nós passamos por momentos de dificuldade. Neste momento mesmo, estamos em um cenário de catástrofe no Rio Grande do Sul devido a enchentes. Atos como salvar um pet, recolher fotos, dar uma garrafa de água ou doar uma roupa são vistos o tempo todo. Pequenos atos talvez insignificantes à primeira vista, mas que muitas vezes são alicerces para o recomeço de uma vida, para a reconstrução de um estado emocional abalado, para viver em sociedade.

Muitas vezes deixamos de agir porque achamos que esse pequeno ato, dentro de toda a complexidade do problema, não tem influência alguma. Mas quando é para escolher jogar lixo na rua, que pode entupir os bueiros e, em momentos de chuvas intensas, causar alagamentos que destroem casas, desalojam famílias inteiras e tiram vidas, muitas pessoas nem sequer pensam, agem praticamente por impulso.

Uma palavra pode ajudar ou magoar, um copo de água pode hidratar ou poluir, uma mão pode estender ou empurrar.

Diante de todas essas realidades, somos confrontados com uma escolha: como vamos usar nosso poder – por menor que seja – para moldar o mundo ao nosso redor? Podemos optar por agir com empatia, compaixão e responsabilidade, reconhecendo o impacto de nossas ações e buscando sempre fazer a diferença, mesmo que seja de maneira modesta, ou podemos optar pela negligência, pela indiferença, pelo egoísmo – e enfrentar as consequências que se seguem.

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