E agora? Tudo mudou e a minha motivação acabou

motivação acabou

Sua motivação acabou?

Porque quando parece que está tudo indo bem, vem uma mudança que drena totalmente a sua motivação? Que dá aquela vontade de parar tudo, seu entusiasmo vai lá pra baixo. Sua produtividade diminui e você simples se sente angustiado com o que virá pela frente.

Com certeza você já passou por um momento assim e sabe como leva tempo para que as coisas voltem ao normal. Se é que em algum momento elas realmente voltam, não é?

Para entendermos por que isso acontece, vamos dividir o problema em três partes.

Zona de Conforto

A primeira parte é a nossa zona de conforto.

Sempre que as coisas estão acomodadas e estão indo de acordo com a nossa expectativa, significa que entramos na tão falada zona de conforto.

A zona de conforto nada mais é do que uma área onde temos segurança do que estamos fazendo. Não precisamos gastar energia demasiadamente para executar nossas atividades do dia a dia e principalmente nos sentimos no controle de tudo que está acontecendo. E é aí que mora que perigo.

Imagine que você está dirigindo no caminho da sua casa, depois de um dia de trabalho. Aquele caminho que você já está acostumado a fazer todos os dias. Já conhece os atalhos e sabe até quanto tempo os sinais ficam abertos.

É provável que você nem pense sobre essa direção, isso já é um hábito. Você faz com o mínimo gasto de energia e de pensamentos, provavelmente inclusive você pensa sobre diversas outras coisas que você pretende fazer quando chegar em casa.

Agora imagine que no dia que você está saindo do trabalho cai um temporal e você não vai poder fazer o caminho que sempre faz, um caminho desconhecido e fora do seu controle.

Por não conhecer o caminho você acaba ficando ansioso e sua atenção é diferente. Você vai procurar alguém que já passou por essa estrada ou dar uma olhada no waze. Uma coisa é certa, esse caminho vai te tirar da zona de conforto.

Apesar da metáfora simples, é exatamente o que acontece quando algo novo aparece na nossa vida e muda o que havíamos planejado. A gente se sente inseguro, tem medo do que pode acontecer e busca a o máximo de informações de experiências parecidas.

Todo esse esforço faz a gente perde a energia que nos motiva a agir, a nossa motivação.

Medo da Mudança

A segunda parte é o medo da mudança

Quem disser que nunca teve medo de mudanças, mesmo que por muito pouco tempo, estará mentindo.

O medo é uma característica natural do ser humano, voltada para nos manter vivos. A gente sempre tem uma tendência a perceber muito mais a possibilidade do negativo do que a de que algo positivo possa acontecer.

Mas de onde surge esse medo? A maioria dos nossos medos são forjados em cima de experiências que vivemos ou que alguém que nós conhecemos viveu.

Quando nascemos não temos medo de nada, por isso o não é uma das palavras que mais ouvimos na infância.  Conforme vamos vivendo, criamos crenças, cascas pra nos proteger.

Imagine que no seu primeiro relacionamento você tem uma pessoa super legal, sensível, atenciosa e que seus pais adoram. Tudo vai muito bem até que essa pessoa viaja e depois você descobre que ele/ela se relacionou com outra pessoa.

Esse relacionamento termina e você segue a vida. Afinal, não muito o que se possa fazer. Você sai da sua zona de conforto e abraça a mudança.

Alguns meses depois, você conhece uma outra pessoa. Começam a sair e o relacionamento avança. Tudo está indo bem até que ele/ela fala que irá viajar no Natal. Você não aceita a situação e termina o relacionamento, antes que o pior aconteça.

Cada pessoa vai lidar com as experiências do passado de uma maneira. No exemplo assim, existe uma crença que se o parceiro/parceira acontecerá uma traição e este cenário não é aceitável.

Como a experiência externa pode influenciar

Mas a situação poderia nem ser uma experiência própria. Se você já tirou a carteira de motorista vai entender. No Rio, tirar a carteira de motorista é um trauma.

O fato é que ANTES de fazer o exame você já é tomado pelo medo de não passar. Mas isto não acontecer porque você sabe como vai se sentir, mas porque provavelmente já viu outras pessoas passando por esse cenário.

Quando eu fiz o meu exame, estava no carro junto com o instrutor e 3 pessoas que não haviam passado de primeira. E a prova era o assunto. Alguns dizendo que o carro que era ruim, outros dizendo que era o avaliador que tinha sido carrasco. E cada minuto eu ficava mais ansioso.

Levei balinha, fui educado, quis fazer de tudo para agradar o instrutor. Entrei no carro sorrindo e ele nem olhou para minha cara. Perguntei se queria balinha e ele só respondeu “ok, pode começar”. Minha perna tremia tanto, meus dedos estavam frios e suados e o volante quase escorregava.

Eu fiz a baliza, dei as duas voltas sem abrir a boca e ele sem falar nada só anotando. No final ele me mandou estacionar. Saiu do carro e me mandou pegar o resultado junto a uma bancada.

Não tive nem coragem de perguntar, estava totalmente murcho. Quando cheguei, para minha surpresa tinha passado.

Todo aquele medo me deixou muito mal e eu sequer tinha vivido aquela experiência. Percebeu como a experiência dos outros pode acabar nos influenciando.

Memória extraordinária

A nossa memória traz para o momento presente todas as dores e traumas já vividos, presenciados ou até mesmo ouvidos. Esse sentimento muda a nossa fisiologia, traz ansiedade, raiva, culpa e até depressão.

Por outro lado, a nossa incrível capacidade de criação e imaginação faz com que a gente crie os mais diversos cenários, em sua maioria negativos, do que pode acontecer com a mudança.

E você deve estar pensando “ah, mas também tem os cenários positivos”. SIM, tem!

Estes cenários também são responsáveis pela felicidade, ansiedade, medo e angústia. Porque as pessoas também têm medo de dar certo e não saberem lidar com essa situação.

Isto acontece principalmente quando existe uma baixa autoestima e autoconfiança que faz com que você tenha a Síndrome do Impostor.

Você já reparou que a nossa evolução, nossa capacidade consciente de criação e memorização, tudo que nos coloca no topo da cadeia evolutiva também é a maior arma contra nós mesmos?

É o que nos paralisa, nos faz doente e às vezes faz com que a gente pense e aja de forma a nos prejudicar. Incrível isso, não é?

O que fazer diante disso tudo para lidar com as mudanças e restaurar a motivação?

Consciência

O primeiro passo é ter consciência de que mudanças são parte da vida. Toda dor que sentimos é por apego a algo que em algum momento, vai deixar de existir como é.

Viva o Presente

O segundo passo é buscar viver o presente, porque essa é a única coisa certa que você tem parte do controle. O passado já foi, é imutável e o futuro não se sabe como será. Então mantenha o seu foco na construção desse presente.

Entenda o seu papel

E terceiro e que acho que mais importante é: Dentro das mudanças que estão acontecendo, entenda o seu papel e o que te motiva. Entenda como você pode contribuir com a mudança, ao invés de reagir ou tentar resistir. Saiba o que pode te motivar.

Se você não se vê dentro da mudança, não tem nada aderente aos seus valores, crenças, e vai contra quem você é, sempre há a opção de não aceitar. Seja um relacionamento, um emprego, um local onde você foi viver.

Para fechar, quando eu falo de mudanças, nem sempre estamos no controle. Veja o caso da pandemia, tivemos que aceitar e adaptar.

Porém, na grande maioria das mudanças podemos sim, escolher se vamos fazer parte, ou não, delas.

No próximo artigo, vou continuar falando um pouco mais sobre essa jornada de transformação através do fluxo de mudanças apresentado pelo psicólogo John Fisher, especialista em liderança e transformação organizacional.

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