A jornada Emocional da Mudança

A jornada da mudança

Dando continuidade ao assunto que começamos a falar na semana passada, o artigo de hoje irá abordar como as mudanças podem impactar na nossa vida e nas nossas emoções, usando a jornada da mudança, do psicólogo inglês e especialista em lideranças e mudanças organizacionais, John Fisher.

John Fisher elaborou a Jornada da Mudança em 1999 para o Congresso Internacional de Desenvolvimento Pessoal, em Berlim, e posteriormente evoluiu em seus estudos na Universidade de Leicester, na Inglaterra. O objetivo era mostrar como as pessoas reagiam a uma mudança organizacional ao longo do tempo e como isso influenciava nos seus comportamentos.

Apesar do foco ser de mudanças organizacionais, é fácil perceber que essa jornada emocional faz parte de qualquer mudança em nossas vidas.

Tudo começa quando estamos na nossa tão conhecida zona de conforto. À primeira vista, as coisas estão de acordo com o que esperamos. Estamos acostumados com a rotina, com a nossa forma de trabalho e com o que acontece na nossa vida.

Aí chega a mudança e com ela começa a nossa jornada emocional.

Jornada emocional da mudança

Ansiedade

A jornada começa pela ansiedade, onde nossos pensamentos são: “Será que eu vou conseguir lidar com isso?” ou “Será que isso vai dar certo?”.

Começamos a ter consciência das coisas que estão fora do nosso controle e tentamos projetar um futuro, sem termos informações suficientes para saber o que nos espera. Isso na maioria das vezes traz uma visão negativa e até catastrófica do que poderia acontecer.

Nesta fase, podemos simplesmente congelar e perder toda a energia que tínhamos, se desmotivar e achar que não seremos capazes de abraçar a mudança.

Apesar deste ser o início da jornada, a forma como você lida com a situação da mudança vai ser um direcionador para todas as outras etapas dessa curva de transição.

Se você está em uma empresa ou time que está passando por alguma mudança, o principal fator a ser considerado é a clareza e a transparência em relação às mudanças que serão passadas a todos. Quanto mais se especula, maior a chance de gerar ansiedade nas pessoas.

Felicidade

Se você conseguir controlar um pouco sua ansiedade e olhar para a mudança com bons olhos, você terá o segundo momento emocional, o momento da felicidade ou excitação.

Você vai pensar: “Até que enfim as coisas vão mudar!” ou “Que bom que as coisas estão mudando finalmente!”. Sentirá aquela excitação que dá sempre que você enfrenta o desconhecido, sabe como é?

Algumas pessoas realmente se sentem aliviadas de que algo realmente está mudando, independente das percepções do passado e do medo do futuro. Mesmo com as crenças que foram criadas, as pessoas têm a expectativa de que as coisas podem melhorar.

Em outras palavras, é importante que a organização pense na melhor forma possível de comunicar para que a expectativa das pessoas se mantenha reais. Um dos riscos nessa parte é que a expectativa sobre a mudança seja maior do que a própria mudança.

Isso é muito comum em empresas. Elas geram um “buzz” sobre as mudanças que estão acontecendo, criando uma expectativa enorme. Porém quando as mudanças efetivamente chegam, elas não são tão grandes quanto se imaginava ou não geram tanto impacto na vida das pessoas como se esperava.

Aqui é a hora de confiar na mudança. De obter uma automotivação ou no caso das empresas uma adesão das pessoas para que elas se sintam parte do processo. Tudo isso pode sim, achatar a curva e fazer com que você passe por essa mudança sem maiores impactos.

O mais comum, entretanto, é começar uma etapa de resistência à mudança. De sentir a mudança como uma ameaça e ter medo do que efetivamente está por vir.

Medo

O medo aparece bem no início dessa montanha russa de emoções, diminuindo ainda mais a sua motivação e trazendo um estado de insegurança.

A percepção da mudança e de si mesmo começam a te fazer pensar que a mudança é grande demais, de imaginar como essa mudança vai impactar a sua vida e o seu trabalho.

Muitas pessoas acabam entrando em um estado de negação a mudança, de desacreditar e entrar na síndrome da avestruz, que enfia a cabeça debaixo da terra pra não ver o que está acontecendo ao seu redor.

Nesse momento é muito comum surgir um sentimento de raiva. Principalmente dos outros pelo que está sendo causado, pelas decisões que foram tomadas e pela mudança que está sendo trazida.  Esse sentimento de raiva perdura até o fundo da curva, o ponto central do nosso U.

Ameaça

Junto com esse medo surge um sentimento de ameaça, de não se sentir seguro, não saber como você vai lidar com as mudanças e principalmente se está pronto para elas.

Pensa no ciclo de um novo emprego. Antes de começar surge a ansiedade, sem saber exatamente o que te espera, imaginando sem detalhes como você vai lidar com essa situação. Depois a alegria e excitação do novo, da mudança que você trouxe para sua vida, algo que você estava buscando.

Aí vem uma insegurança, será que a mudança é grande demais ou será você está pronto para ela?

Raiva

Eventualmente, pode surgir um sentimento de raiva e te fazer pensar “Por que fui fazer isso?”.  Mas não se preocupe, isso faz parte da jornada.

Desilusão

Muitas pessoas simplesmente desistem e se desiludem com a mudança. Isto ocorre porque acham que não serão capazes de absorver e abraçá-la e acabam voltando atrás.

Muitas vezes nós somos os principais sabotadores da nossa vida, quando temos medo das mudanças ou não nos achamos capazes, a tão conhecida síndrome do impostor.

Na continuidade dessa jornada, estamos chegando ao fundo do poço, ou seja, no momento de menor motivação que temos.

Culpa

Começamos a nos sentir culpados. Passamos a ter maior consciência das ações e escolhas do passado, entendendo que não somos mais quem nós éramos e que nosso eu talvez não seja o que se espera nesse momento.

Nesse momento você começa a ter noção de como as suas crenças podem ter te limitado e as opiniões das pessoas sobre você podem ter grande impacto na sua autoimagem.

Esse sentimento de desconexão com a mudança pode inclusive nos trazer vergonha, raiva de nós mesmos por não estarmos prontos para a mudança e até nos levar a um estado depressivo.

Depressão

Esse é literalmente o ponto mais fundo da nossa jornada, onde o futuro é incerto e não sabemos se iremos nos encaixar no que nos espera, não temos confiança em nós mesmos e o sentimento predominante é a angústia.

Aceitação gradual

Por incrível que pareça, é aí que ocorre o ponto de inflexão. O momento de virada, onde através da nossa auto aceitação e de entender que somos capazes de mudar, começamos a subida da nossa curva, a aceitação gradual da mudança.

A mudança começa a fazer sentido e você começa a perceber que existe uma luz no fim do túnel. É o momento em que você deixa de ser espectador de tudo que está acontecendo e passa a experimentar, testar, se sentir parte de tudo e começa a entender que é capaz de mudar.

Você efetivamente vê resultados dessa mudança e começa a acreditar.

Entramos na última etapa da jornada emocional, o novo ponto alto, no final do U. Onde você efetivamente segue em frente.

Seguindo em frente

Aqui aquele sentimento de conforto, que tínhamos no início do processo e que nos foi tirado quando a mudança surgiu, começa a reaparecer.

A mudança começa a estar em linha com as nossas convicções e crenças e começamos a ver resultados efetivos. Passamos a sentir que sim, isso vai dar certo e pode ser bom para gente.

Começamos a ter uma nova consciência sobre nós mesmos e nos sentimos bem por estarmos fazendo o que é certo e por estarmos fazendo parte da mudança da maneira correta.

Novos comportamentos, rotinas e hábitos são estruturados e passamos a voltar ao nosso estado de zona de conforto.

Resumindo

Essa é a Jornada da Mudança ou da Transformação, segundo John Fisher. Enfim, apesar de não ser uma receita de bolo, a jornada dá uma visão muito comum do que acontece quando passamos por um momento de mudança, seja ele por decisão nossa ou por fatores alheios ao nosso querer.

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