O que é a Fadiga do Zoom e como se livrar dela

Estamos em maio de 2021 e há mais de um ano o mundo vem sofrendo muitas mudanças por conta da pandemia do coronavírus. Com a chegada do vírus, o isolamento social e as mudanças do modelo de trabalho de muitas empresas, o home office se tornou popular e com ele as diversas ferramentas para conferências online.

Temos Zoom, Hangouts, Teams, Skype e muitos outros. Para você ter uma proporção dessa mudança, antes da pandemia essas ferramentas tinham pouco mais de 12 milhões de reuniões diárias, hoje são mais de 540 milhões de conferências.

Será que ficar o dia em tantas conferências substituiu a presença e é beneficial para o nosso dia a dia? Como será que o nosso cérebro lida com isso?

Para responder essas perguntas e muitas outras, vou falar da Fadiga do Zoom (Zoom Fatigue). Apesar de ter um nome característico de uma ferramenta, não é uma condição exclusiva, pois os distúrbios podem ser causados por qualquer ferramenta.

O que é a Fadiga do Zoom e de onde surgiu?

Apesar do seu conceito ter surgido em 2020, ela se tornou popular em 2021.

Acompanhando o aumento crescente de conferências online, o professor de comunicação e fundador do Laboratório de Interação Humana Virtual de Stanford, Jeremy Bailenson, passou a estudar as consequências causadas pelo uso recorrente dessas ferramentas.

Esse nome se refere ao cansaço mental relatado por pessoas que participam de videoconferências muitas vezes ao dia e durante muito tempo. Isso ocorre por várias razões.

A comunicação não verbal é responsável por mais de 70% de tudo que é transmitido.

Quando tiramos esse pedaço, obrigamos o nosso cérebro a tentar decodificar a fala, o tom de voz, e qualquer outro fator que possa facilitar o entendimento da mensagem.

É como se eu estivesse escrevendo uma carta e simplesmente decidisse tirar as vogais das palavras.

É possível e até provável que você consiga ler, mas o esforço para decodificar será muito maior do que se ela estivesse com todas as informações.

Quando tiramos a comunicação não-verbal é exatamente isso que fazemos com nosso cérebro, demandando um gasto ainda maior de energia.

Bombardeio de Estímulos

Outra causa é que somos bombardeados por estímulos como, diversas imagens em simultâneo, os sons do ambiente quando algumas pessoas deixam o microfone ligado e até mesmo a nossa própria imagem, que traz o senso de autocrítica exagerado.

Vai me dizer que você nunca olhou para sua foto e fez alguma crítica do cabelo, roupa e até do fundo da imagem?

Principais causas que contribuem para a Fadiga do Zoom

Em sua pesquisa, Jeremy identificou 4 principais causas:

Quantidades excessivas de contato visual de perto são altamente intensas.

Durante o uso dessas ferramentas é muito comum que a gente mantenha uma grande quantidade de contato visual com os rostos, tentando captar toda e qualquer informação que surja. Um movimento que não é comum em uma reunião normal, onde as pessoas estão olhando para quem está falando.

Na ferramenta, mesmo que você não abra a boca, você será percebido, o que gera a distração e sobrecarga de processamento cerebral. Isto também ocasiona um grau de ansiedade social pelo fato de você saber que está sendo visto.

Ver a si mesmo durante chats de vídeo constantemente em tempo real é cansativo.

Imagine você se observando no espelho durante 4 a 6 horas por dia. Isso não parece natural, não é?

Realmente não é!

Alguns estudos mostram que quanto mais você se observa ao longo do dia, mais autocrítico você se torna. Consequentemente, o impacto emocional, a ansiedade e o estresse aumentam por conta desse excesso.

Os chats de vídeo reduzem drasticamente nossa mobilidade usual.

Durante uma conversa, seja ao telefone ou uma apresentação, nós acabamos nos movimentando. Já nas videoconferências a gente geralmente fica no mesmo lugar, inerte.

Pesquisas recentes mostram que essa inércia acaba gerando uma redução do nosso desempenho cognitivo, ou seja, do nosso pensamento, da nossa prontidão, atenção, ficamos mais desatentos.

A carga cognitiva é muito maior em chats de vídeo.

Como eu disse, um dos pontos mais importantes da comunicação do ser humano é a parte não verbal como, por exemplo, a interpretação dos gestos e da respiração.

No contexto da videoconferência, além de perder grande parte desta comunicação, estamos constantemente tentando ajustar a nossa comunicação e codificar a comunicação do outro.

Ao invés de falar sim ou balançar a cabeça, é natural que vejamos em salas de reunião as pessoas levantando o polegar para indicar que concordam ou fazendo um gesto mais exagerado para chamar a atenção, como balançar os braços.

Isso muda o nosso esforço de entendimento e nos adiciona carga cognitiva, ou seja, processamento para uma comunicação que o nosso cérebro já estava habituado.

Fora as comunicações falsas. Por exemplo, olhar para o lado pode não ter relação nenhuma com a pessoa que aparece ao seu lado na grade e sim, ao seu filho que acabou de entrar no escritório.

Todas essas mudanças de comportamento, de hábito e comunicação fazem com que a gente gaste mais energia nesse processo de comunicação online. Imagine quem passa horas e horas sem pausa em reuniões digitais. Complicado, não é?

Dicas práticas para lidar com a Fadiga do Zoom

Algumas práticas para te ajudar a lidar com a Fadiga do Zoom.

  • Esteja em um lugar confortável, bem iluminado e com estrutura ergonômica adequada.
  • Apesar das etiquetas falarem para que a gente mantenha o vídeo aberto, a verdade é que essa prática, quando aplicada em uma sala com muitas pessoas, pode se tornar exaustiva então abra a sua câmera quando for necessário falar. Um lembrete, não é porque a câmera está fechada que você pode fazer outras coisas em paralelo.
  • Se tiver um monitor externo, fique a uma distância maior para evitar a distorção e aproximação exagerada do rosto dos participantes. Isso traz uma carga de processamento desnecessária para o seu cérebro. Caso não seja possível, diminua a tela do seu aplicativo e não deixe a tela cheia.
  • Evite reuniões seguidas. Ao final de uma reunião, levante, caminhe, estique o corpo. Evite sair direto para ler um email ou celular. Levante e pegue um café ou chá!
  • Se for o facilitador de alguma reunião, faça reuniões objetivas de no máximo 30 minutos.
  • Ligue ao invés de fazer conferência. Se precisar falar com alguém e não fizer diferença usar ou não o vídeo, ligue. Além da qualidade da voz ser melhor você tem menos distratores.
  • Não transmita o seu vídeo para si mesmo, isso vai evitar a autocrítica excessiva. Algumas ferramentas permitem que você oculte a própria visão
  • Se você estiver usando uma câmera do notebook, mantenha uma certa distância ou coloque uma câmera externa para evitar que o seu rosto fique distorcido ou muito grande na tela.

Se você quiser saber como está na escala de fadiga, existe um teste bem rápido disponibilizado pelo laboratório de interação humano-virtual de Stanford. Faça o teste aqui!

Depois me conta como ficou a sua avaliação!

 

 

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Luiz Cruz
Luiz Cruz
16 dias atrás

Ótimo artigo! Parabéns e obrigado!