Casamento Perfeito – Lavar a louça e deixar o vinho na mesa

Casamento Perfeito - Lavar a louça e deixar o vinho na mesa

Se você foi pego pelo título do artigo, aviso que foi só uma brincadeira. Não existe nenhuma receita de bolo para ter um casamento perfeito. Mas existem coisas que podem ajudar muito a ter um relacionamento duradouro e feliz.

Esse tema apareceu porque essa última semana estava assistindo a um reality show da Netflix chamada “Casamento às cegas”. Por mais bobo que pareça um reality show, de vez em quando precisamos de algum tempo “não produtivo” para diminuir o ritmo. Pior (ou melhor) é que acaba virando assunto de podcast.

O reality show levanta a seguinte questão: “É possível se apaixonar e se casar com alguém sem ao menos ver essa pessoa?”

E no meu ponto de vista, a resposta é sim. É possível se apaixonar por uma pessoa mesmo sem conhecê-la. É uma conexão criada com base no que você sente. Quem nunca se identificou ou até mesmo queria que um personagem do livro existisse simplesmente porque ele era tão perfeito dentro do que você buscava?

Da mesma forma que você nunca viu e não verá este personagem, isso não te impediu de sentir. Porque isso é paixão, um conjunto de reações químicas e fisiológicas que muda o seu organismo.

Essa agitação, a sensação de que o amor é belo e de que podemos tudo, vem da dopamina, neurotransmissor da alegria e felicidade. Às vezes a pessoa tem até insônia e falta de apetite (também relacionados a outro hormônio chamado norepinefrina), que nos deixa mais eufóricos e dispostos.

Às vezes o sentimento é tão forte que pedimos a Deus, simpatizamos, fazemos todo o possível para que a pessoa esteja com você.

E o que acontece quando se distanciam?

A conhecida síndrome de abstinência, mau-humor e o desejo de não fazer nada. Olha como a paixão pode mudar nossas vidas e afetar todo o nosso meio ambiente, tanto positiva quanto negativamente.

A paixão é linda, não é? No reality também acontece isso. Ninguém tem defeito, todos se amam e quando finalmente se encontram apenas reforçam o sentimento que já havia sido plantado. É uma verdadeira lua de mel antecipada.

Começa então a descarga de estrogênio e testosterona, que nada mais são do que hormônios sexuais. Basta um beijo para ativar todo o corpo e os pensamentos mais afetuosos.

Este estágio do relacionamento é igual ao Instagram. Existe apenas fotos bonitas, bons momentos e novidades. O fato é que a vida real não é assim. Quando surgem diferenças de valores, crenças e opiniões, começa a fase de adaptação.

É nesta fase que a maioria dos relacionamentos termina, antes mesmo de se falar em casamento. É querer mudar o outro, independentemente de o motivo ser bom ou ruim, o que acaba fragilizando as relações, pois isso resulta em desrespeito e medo.

Medo de não ser aceito como é, medo de que o outro deixe de gostar, raiva por não respeitar os seus desejos, as suas ações. Isso se traduz na liberação do cortisol, adrenalina, gerando ansiedade, insegurança, insônia, taquicardia.

 

E às vezes amar o outro é tão grande que acabamos nos anulando, aceitando o que nos é imposto para não arriscar perder aquela pessoa que te trouxe tantas sensações maravilhosas.

Mas isso não é sustentável por muito tempo. E começam as farpas, o desrespeito e as brigas. Isso faz com que os relacionamentos se percam e raramente voltem aos trilhos.

O que acontece com aqueles que sobrevivem a esta fase?

Essa etapa é longa, pois quanto mais você se envolve, mais conhece seus valores, suas crenças e sua história de vida. Como ela se comporta em situações específicas e como ela lida com a vida juntos.

A gente sempre está se adaptando e conhecendo o nosso parceiro porque as situações da nossa vida mudam a todo momento. Existem muitas pessoas com casamentos longos e duradouros que estavam super bem, mas que não conseguiram lidar com o cenário de conviver com a pessoa durante a pandemia.

Sempre nos adaptamos e conhecemos o nosso parceiro porque as situações da nossa vida estão em constante mudança. Existem muitas pessoas com casamentos de longa data que estavam indo muito bem, mas não conseguiam lidar com a situação de se dar bem com a pessoa durante a pandemia.

Como ambos trabalhavam longe um do outro durante o dia, não tinham vivido até então uma situação de convivência no mesmo local por longos períodos. Então essa fase é contínua. Mas depois de um tempo as coisas estabilizam e ajustes sempre vão acontecer, mas quando as coisas estabilizam o relacionamento é delicioso.

Embora a fase da paixão tenha passado, essas sensações foram substituídas por outras, que não têm a mesma intensidade, mas que proporcionam algo mais acolhedor.

Como fazer o casamento perfeito?

Não existe casamento perfeito, existe o aperfeiçoamento dos casais.

Individualidade

A primeira coisa errada “respeite a minha individualidade”. Essa frase está totalmente correta, cada um tem sua individualidade. Porém, na maioria das vezes, se você apertar a tecla SAP isso quer dizer “Não olhe por aí que você vai achar meus segredinhos”.

Quando você se sente mal porque seu parceiro olha o seu celular, seu e-mail, seu facebook etc. é porque você ainda não virou a chave de que o seu relacionamento só vai dar certo quando você não tiver mais algo a esconder.

E isso é normal no início do relacionamento. As vezes existem um passivo de relacionamentos anteriores que gera aquela insegurança. A questão é que, quando você não tem nada a esconder, nada disso fará diferença.

Se você falar que tem um grupo de amigos solteiros que fica mandando besteira e é só besteira mesmo, ela pode ficar com ciúmes, mas sabendo que você não vai esconder isso dela, vai passar. Se ele souber que a pessoa que está te mandando uma mensagem é um cara que você estava paquerando antes dele, mas que é passado, ele também vai ficar com ciúmes, mas isso também vai passar.

Quando falo de individualidade, quero dizer coisas importantes para você, que vão desde ir à igreja, jogar futebol com os amigos, encontrar amigos para conversar, visitar a família e respeitar a religião. Tudo isso são questões individuais e que sim, devem ser respeitadas porque tentar mudar vai gerar um desgaste desnecessário e que acaba muitas vezes com o relacionamento.

Competição

O segundo ponto importante é a competição no casamento. Ninguém precisa ganhar mais que o outro ou ser melhor que o outro. Acredito que esse é um grande divisor de águas de um casamento.

Quando você deixa de se preocupar em ser melhor que seu parceiro e se torna um colaborador, e entende o que você pode fazer para melhorar o OUTRO a cada dia, mesmo que não seja sua área de atuação, mesmo que você contribua apenas ouvindo, isso é suficiente para o outro se sinta apoiado.

Muitos casais não se apoiam. Cada um pensa em fazer o SEU melhor, para poder dizer ser o mantenedor da casa e poder falar que comprou isso ou aquilo. Às vezes, para justificar coisas que não deveriam ser justificadas. Coisas como:

“Trabalho até tarde para manter essa casa por isso eu quero chegar e jogar bola com meus amigos”.

“Não tenho tempo para ficar com as crianças porque meu emprego exige que eu trabalhe no final de semana”.

“Eu pago as contas da casa! O mínimo que espero é que a comida esteja pronta e a casa limpa”.

É preciso existir cumplicidade e parceria. Para quando um precisar, o outro apoiar e não tenta se colocar como vítima porque também trabalha ou tem muita coisa para fazer.

Se não existir apoio, um dos dois vai tentar podar o outro porque vai acabar tendo que desistir do seu sonho, da sua carreira para achar um equilíbrio. Se cada um soubesse ceder um pouco, ajudar um pouco, não seria necessário.

Pequenas coisas, fazem diferença

E aqui vem a brincadeira com o título. Às vezes o simples fato de lavar a louça é o suficiente para demonstrar a sua atenção pelo outro. Eu odeio lavar a louça, não gosto mesmo, mas sei que em alguns momentos, em dias corridos, isso faz uma diferença na sensação do final do dia.

Pode ser um dia “Exaustivo, vou deitar porque estou muita cansada” ou pode ser um dia “O que vamos juntos fazer agora?”. E isso pode ser dos dois lados, porque às vezes estou cansado para fazer a janta e ela faz. Então não existe: “Isso só eu ou só ela”, a gente busca o equilíbrio. Não é fácil, porque às vezes os dois estão cansados.

E aí, o que fazemos?

Vamos fazer um lanche, abrir o vinho e a louça fica para amanhã. E às vezes é só isso que você precisa. Parar, respirar e virar a página para começar no dia seguinte com energia de novo.

Conclusão

Então resumindo o que eu acho importante para o casamento dar certo:

  • Individualidade sem segredinhos
  • Cumplicidade sem competição
  • Equilíbrio sem drama
  • Vinho sem preocupação

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