Você está realmente se adaptando ?

Novo normal

Você está realmente se adaptando?

2020 foi um ano intenso. Um ano onde passamos por uma pandemia mundial, que até o momento, levou a morte mais de um milhão e setecentos mil pessoas.

Foi preciso ficarmos isolados, muitas vezes longe dos nossos familiares. Mudamos o nosso estilo de vida, negócios tiveram que se reinventar e muitas empresas faliram. Diante de tudo isso fica o questionamento, será que realmente nos adaptamos e nos tornamos mais resilientes ou estamos apenas reagindo às mudanças?

Como reagir as mudanças?

Para você entender o que eu chamo de adaptar e reagir às mudanças, vou trazer dois exemplos do fundo do mar.

O polvo

O polvo é o primeiro exemplo. Ele consegue diminuir o seu volume corporal para caber dentro de um copo, passar por fendas de milímetros e até se camuflar mudando a sua cor para passar despercebido por algum predador.

Em um primeiro momento poderíamos dizer que ele se adapta certo? Mas a verdade é que por mais que ele passe por essas situações, ele sempre volta ao seu estado normal. Ele pode ser considerado, resiliente.

O mesmo acontece com o camaleão, que para fugir dos seus predadores, é capaz de se camuflar dentro do ambiente que estiver. Usando padrões de cores que você nem acredita. Mas ele só faz isso enquanto estiver naquele cenário.

Algumas pessoas estão exatamente assim. Reagiram de forma rápida a mudança que ocorreu, mas estão aos poucos voltando ao seu cenário anterior. Elas acreditam que realmente iremos voltar a viver como vivíamos antes.

E eu entendo, esse cenário de isolamento cansa. Usar máscara cansa, ficar longe das pessoas que a gente gosta cansa. Eu acredito alguma parte irá realmente voltar a ser como era, mas nem tudo será como antes, como por exemplo: nosso modelo de trabalho; a visão humanizada; o home office; o aprendizado à distância; o delivery; as pesquisas e muito mais.

O peixe-pescador

Agora vamos entender o segundo exemplo. Existe um peixe chamado peixe-pescador, que vive nas profundezas do oceano, lá nas fossas abissais. Se você já viu o filme Procurando Nemo, vai lembrar de um peixe que parecia acender uma luz na testa para atrair os outros peixes e tinha dentes altamente afiados. Lembrou? É esse ai!

Para esse peixe viver nessa profundidade, ele precisou mudar sua fisiologia. Se tornou um peixe pequeno, de no máximo 25 centímetros e criou uma haste onde projeta luz através uma substância bioluminescente que atrai suas presas já que nessa profundidade a visão dos peixes é muito diminuída. O peixe-pescador possui uma estrutura mínima óssea para não colapsar por conta da pressão.

Esse ser realmente é adaptado ao ambiente que ele vive e você sabe o que acontece se você tentar tirá-lo de lá e levá-lo, por exemplo, a superfície? Ele morre. O corpo dele não se adapta mais a esse ambiente.

Um outro exemplo é o ermitão. Sabe aquele caramujo que muda de concha quando o corpo dele não cabe mais na anterior? Depois que isso acontece, não tem retorno. O ermitão passa a ter que lidar com uma concha mais pesada, que ele não está acostumado e que pode inclusive ser mais frágil que a anterior. Mas ele precisa se adaptar, senão pode acabar morrendo dentro da própria concha.

Jogados para fora do ninho

Vocês também já devem ter ouvido aquelas histórias de que quando a mãe-pássaro percebe que o filhote está pronto para voar, ele dá aquele empurrãozinho para que ele voe. E esse exemplo, por mais contundente que seja, tem tudo a ver com o que vem acontecendo com a gente.

Nós fomos bruscamente jogados para fora do ninho por conta de um evento inesperado, que foi a pandemia.

Os que se adaptaram, voaram e nunca mais vão deixar de voar. Muitos caíram pois não conseguiram se adaptar e nem reagir ao evento, sejam pessoas, empresas, restaurantes, comércios ou sistemas de saúde. E por fim, tiveram alguns que apenas abriram as asas e planaram até o chão. Estes últimos reagiram ao evento, mas não se adaptaram. Eles não estão prontos para voar. Eles voltaram ao estado de ficar com os pés no chão, em segurança.

Esteja preparado

E se você percebeu que você apenas reagiu ao evento, mas não está realmente preparado para as mudanças que aconteceram e que eventualmente possam continuar acontecendo, eu vou deixar aqui alguns passos que são importantes para que você possa estar preparado pelo que vem por aí.

  1. Aceite o que está acontecendo: muitas pessoas acabam tentando entender por que o mundo está assim, por que chegamos nesse cenário, o aconteceu com fulano ou ciclano. A verdade é que nada disso muda o que já aconteceu.
  2. Aprenda com o que está acontecendo, para que você saiba o que está dando certo e o que está dando errado para você: lembre-se o mundo não é mais linear e muito menos previsível, então o que aconteceu com você no passado ou está acontecendo agora, não é referência para o futuro.
  3. Seja protagonista: não se coloque em uma posição de vítima, achando que o mundo está contra você, que a pandemia veio para acabar com o seu negócio ou com sua família. Coloque-se como protagonista, busque ser positivo e consciente no seu estado atual e de que nada disso é permanente.
  4. Movimente-se: não deixe de agir por medo, por não conhecer o que vem pela frente. Quando você congela diante de um cenário como este, você aceita o que vier acontecer na sua vida. Determine como você quer lidar com essa situação, planeje e execute o que precisa ser feito.
  5. Não antecipe seus problemas: muitas vezes você vai ficar tentando criar cenários para que esteja pronto para qualquer situação. A verdade é que você nunca estará pronto e o futuro é totalmente imprevisível. Ficar pensando sobre esses cenários só vai te trazer angústia e ansiedade.

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