Os 5 Pilares Fundamentais da Inteligência Emocional

Inteligência Emocional

Você sabe o que é Inteligência Emocional ?

Muitas pessoas já ouviram falar de Inteligência Emocional, seja na televisão ou em algum grupo de conversa, mas nunca foram efetivamente apresentadas ao conceito e como ele se aplica na nossa vida. 

O conceito da Inteligência Emocional não é novo, diversos pesquisadores e psicólogos como Edward Thorndike, David Wechsler e Abraham Maslow já tinham ensaios mostrando a importância da expressão emocional tanto no convívio social quanto nas habilidades interpessoais. Porém, foi em 1995  que ele se tornou mais conhecido, quando o escritor e psicologo Daniel Goleman, na época jornalista cientifico do New York Times,  lançou seu livro chamado Inteligência Emocional.

Em seu livro, Goleman trata a Inteligência Emocional como um conjunto de habilidades interpessoais e intrapessoais que ajudavam as pessoas a obter mais sucesso. Assim, a Inteligência Emocional pode ser entendida, como a capacidade individual de compreender e gerenciar as suas emoções e lidar com as emoções das pessoas que o cercam. 

Mas você sabe realmente o que é uma emoção ?

Provavelmente a primeira coisa que veio a sua cabeça é “tudo aquilo que a gente sente”. Essa resposta, por mais que pareça correta, está errada. Se você topar em uma pedra você vai sentir uma dor tremenda, principalmente se for com o dedinho, mas isso não é uma emoção.

Imagine que você está andando na Savana Africana em um Safari. O dia está quente, você mal consegue enxergar o horizonte. Todos estão observando uma manada de elefantes quando de repente você vê um vulto passar na lateral do carro. De relance você pensa que é um leão, no seu corpo começa a acontecer uma série de reações. Suas pupilas dilatam, seu corpo é bombardeado com uma carga de adrenalina, seu sistema digestivo trava, sua bexiga pode soltar e tudo isso em menos de meio segundo. Apenas com o pensamento de que poderia ser um leão.

Portanto, emoção é uma programação do nosso cérebro, reagindo a um estimulo externo,  que engatilha uma série de reações fisiológicas de forma totalmente inconsciente e automática. É algo que você, por mais que tente, não vai conseguir controlar.

E o que é um sentimento ?

Enquanto a emoção trabalha na parte fisiológica do corpo, o sentimento é algo que ocorre no nosso cérebro. Para o neurocientista português Antônio Damásio, os sentimentos são processos cognitivos que são resultados de um pensamento abstrato. É como o indivíduo se sente diante da emoção, dando a ela sua interpretação. 

Você está dirigindo, quando de repente vem alguém e te corta.  Em milésimos de segundos, uma emoção é disparada, a raiva. Seu coração acelera, suas mãos começam a suar e você decide ir atrás e tirar satisfação.  Tudo que aconteceu no seu corpo foi de forma inconsciente, mas a sua decisão de ir atrás foi consciente, baseada em como você se sentiu. Neste caso podemos assumir que você se sentiu ameaçado, mas isso é apenas a sua interpretação sobre um fato que desencadeou uma emoção. Para uma outra pessoa a emoção poderia ser medo e o sentimento poderia ser de fragilidade.

As Emoções Básicas

O psicólogo americano Paul Ekman elencou 5 emoções básicas universais que o ser humano possui, independente da cultura, crença, religião ou origem. Essas mesmas emoções foram apresentadas no filme Divertidamente, no qual atuou como consultor. 

Emoções
Fonte: Filme Divertidamente

Raiva

Emoção intimamente ligada com o nosso instinto de sobrevivência. Em geral faz com que o indivíduo tenha mais agressividade para atacar ou fugir, descarregando uma grande quantidade de adrenalina e cortisol no corpo, dando mais explosão muscular e mais foco e atenção, deixando você em um estado alerta. O grande problema da raiva é que ela pode aparecer por exemplo, em uma situação de ameaça no trânsito ou  em uma reunião mais contundente com um cliente. 

Medo

Assim como a raiva, o medo também é uma emoção comumente associada a sobrevivência, nos colocando em cenários de atacar, fugir ou até mesmo paralisar.  O problema do medo é que ele acabar se disfarçando em autossabotagem, onde não começamos nada até ter o cenário perfeito, e acabamos dando o nome bonito de perfeccionismo; ou criando crenças limitantes como “Empreender no Brasil é impossível”, para nos proteger de algo que não necessariamente é um fato e sim uma crença. Por exemplo: O medo de mudar de emprego esconde a crença de que você não está pronto para voltar ao mercado de trabalho”. 

Tristeza

A tristeza é uma emoção reflexiva que tem como principal objetivo poupar energia. Ela reduz o nível de atividade física e cognitiva, causando principalmente apatia, falta de ânimo e motivação. Se apresenta principalmente em situações onde não há ação a ser feita, como a perda de um familiar querido, o término de um relacionamento ou até mesmo o fim de um período de férias. Nada disso está no nosso controle  e dessa forma a tristeza cumpre seu objetivo em evitar o gasto energético com esforços desnecessários.  

Um ponto de atenção sobre a tristeza é que ela cria um foco na dor, no contexto ao qual ela foi ativada, podendo causar uma situação de fragilidade e depressão quando se mantem de forma continuada. 

Alegria

A emoção mais positiva, sua principal função é estimular a ação, sendo em muitas vezes recompensa por algum comportamento ou conduta que o indivíduo julgue como benéfico. Por exemplo ao vencer um torneio, algo que você queria muito, você vai se sentir extremamente feliz. Nessa emoção o nosso cérebro tem como principais neuro-hormônios a dopamina e endorfinas, responsáveis pela sensação de prazer e satisfação. 

Nojo

O nojo tem como principal função evitar algo que possa lhe causar algum tipo de contaminação ou intoxicação. Nos trabalhos de Darwin, os seres vivos ativam essa emoção para evitar ingerir ou ter contato com alguma substância que possa lhes ferir ou até matar. É comum que o seu corpo traga sensações de mal-estar, náuseas e vontade de vomitar. Lembre-se que ele está tentando evitar ou expelir algo que venha a te fazer mal. 

Inteligência Emocional então é controlar as emoções ?

A emoção, como se trata de uma programação do nosso cérebro e que ocorre em menos de meio segundo, é incontrolável. O que trabalhamos com a Inteligência Emocional é no nosso nível de consciência e gestão sobre os nossos processos emocionais. E para isso Goleman separa a Inteligência Emocional em 5 pilares fundamentais: 

Autoconsciência

A Autoconsciência ou autoconhecimento emocional é a capacidade de reconhecer suas próprias emoções, quando elas ocorrem e o que as está provocando. Esse é o marco zero da inteligência emocional. Portanto, se você quer começar a desenvolver a sua inteligência emocional deve começar por aqui. E não apenas tendo o olhar para o que acontece com você, mas também a forma como suas emoções podem afetar de forma positiva ou negativa os outros.   

Além disso, minha sugestão é que você crie um Diário de Acompanhamento (técnica usada na Terapia Cognitiva Comportamental) onde você irá descrever sempre que tiver alguma emoção, os seguintes itens: Quando ocorreu; o que causou; qual foi a emoção; qual o sentimento que desencadeou e quais foram as ações. Sugiro também incluir dois passos a mais para que você reflita, que são: como você gostaria de ter se sentido e o como gostaria de ter agido.  

Autoregulação

Autoregulação é a habilidade em lidar com os sentimentos adequados de acordo com as situações em que ocorrem. Neste caso Goleman sugere que você esteja mais preparado a responder do que a reagir.  Em outras palavras, o processo de reagir é inconsciente e ativado por um gatilho emocional, por outro lado o processo de responder é consciente e envolve perceber o que você está vivenciando e sentindo e decidir como você quer se comportar diante dessa emoção. 

O Autocontrole é o que te permite gerenciar o processo emocional de forma que você trate de forma racional e as vezes até programada os comportamentos diante de uma situação que você irá vivenciar.  Lembra do diário que falei aqui em cima ? Então imagine que você anotou um momento do dia onde você teve aquela reunião que brigou com seu chefe porque ficou com raiva de não ter sido ouvido em uma determinada tomada decisão que iria influenciar diretamente o seu resultado.  

Depois disso você vai ter anotado a emoção e comportamento que você gostaria de ter tido, e imaginar na sua cabeça a cena algumas vezes. Como o nosso cérebro não sabe distinguir um acontecimento real de algo imaginado ele vai entender que diante daquela situação, quando voltar a ocorrer você irá se comportar do jeito que você “ensinou” o seu cérebro a agir. 

Portanto, o primeiro passo para que você possa começar a gerenciar o seu processo emocional sempre será registrar os momentos e gatilhos de cada emoção. Lembre-se a maioria das empresas precisa de pessoas que saibam “controlar” suas emoções diante de momentos de maior pressão e risco. Trabalhar estes pontos te colocará em grande vantagem no ambiente de trabalho. 

Automotivação

Capacidade de motivar-se e se manter motivado orientando suas emoções e seu foco.  O foco da automotivação é uma vez que você tenha identificado os seus processos emocionais fazer com que as suas emoções te ajudem no engajamento, otimismo e força de vontade.  

Durante a escrita de seu livro a escritora americana Gretchen Rubin identificou 4 perfis de personalidade e como eles respondem as expectativas para se automotivar: 

perfis motivacionais

Defensores

Não tem muitos problemas em assumir compromissos, manter o foco e cumprir prazos. Tem um instinto de autopreservação e ordenamento fortes, porém tem dificuldades em lidar com cenários onde as expectativas não estão claras. Nestes casos tendem a se desmotivar ou especular e burocratizar as atividades. Para motivar-se tem que ter tudo organizado e detalhado. 

Questionadores

Tendem a executar apenas aquilo que explicitamente tem um propósito claro e justificável. No geral são motivados pela razão, lógica e justiça. São pessoas que gostam de pesquisar para que tenham informações suficientes para tomada de decisão.  Assim como os defensores, a falta de clareza pode desmotivá-los. 

Obrigados

Esse perfil tem grande dificuldade de se automotivar pois seu instinto é de cumprir as expectativas externas (dos outros)  em detrimentos de suas próprias. São pessoas que precisam de estímulos externos como prazos, metas, medo de desapontar para que se sintam motivados.  Se não houver uma “pressão” no cumprimento, o indivíduo deste grupo não se motiva. Além disso, tem grande dificuldade em dizer não, o que pode acabar gerando uma sobrecarga. 

Rebeldes

Por último, temos os rebeldes que resistem a todos os tipos de expectativas. Para esse grupo a liberdade e flexibilidade é o que os motiva. Dessa forma, ordenação, obrigação, prazos e metas só farão sentido se eles fizerem parte da definição ou se eles tiverem liberdade para execução.  

Embora seja um grupo que não gosta do comando e controle, eles valorizam a criatividade,  autenticidade, autodeterminação e autogerenciamento.  São motivados por desafios que os façam sair da rotina. Um “duvido” é quase uma ordem de execução para um perfil rebelde.  

Dicas de Automotivação:

  • Celebre todas as pequenas vitórias que você tiver. Progresso é um fator comum de automotivação. 
  • Declare de forma explicita o seu progresso, para que você consiga perceber o bom trabalho que vem realizando. 
  • Se dê uma recompensa por realizar algo que estava determinado. 
  • Entenda o propósito de cada atividade sua para que você tenha mais entusiasmo em realizá-la. 

Empatia

Empatia é a capacidade de perceber e compreender as emoções e situações segundo a perspectiva dos outros. No entanto, para que você possa efetivamente ter empatia pelo outro você tem que se despir dos seus julgamentos, das suas crenças, dos seus valores e da sua forma de ver o mundo. Lembre-se, seu modelo mental e experiências não necessariamente é igual ao do outro.   

Desta forma, pra quem acha que empatia é “calçar os sapatos do outro”, precisa repensar seus conceitos, é muito mais. Você precisa realmente se questionar sobre o contexto, valores, crenças, momento de vida e modelo mental do outro. E uma das melhores maneiras é ouvindo, mas de forma ativa, deixando que o outro fale abertamente sobre seus sentimentos sem medo de ser julgado. 

Por exemplo, se o seu colega tem chegado todos os dias tardes, isso não quer dizer necessariamente que ele não quer nada, ele pode estar inclusive tendo problemas pessoais ou imprevistos que você só irá saber se estiver aberto a ouvi-lo. 

Habilidades Sociais

É a capacidade de entender a si mesmo e aos outros de forma que seu relacionamento interpessoal seja potencializado.  Nestes quesitos temos algumas habilidades muito importantes como a escuta ativa, já citada na empatia e que tem como principal objetivo dar espaço genuíno para que o seu próximo possa se abrir. 

Comunicação verbal e não verbal, assim como a prática de rapport são pontos importante para a melhoria da interação entre você e seu time. Além disso, ter um pensamento positivo contribui diretamente para a motivação das pessoas ao seu redor. 

Por fim, quando estamos lidando com uma equipe com inteligência emocional fica mais fácil criar um ambiente psicologicamente seguro (APS) onde as pessoas podem ser elas mesmas sem medo de julgamento e sabendo que todos estão ali olhando pro mesmo propósito. 

Por que é importante ter Inteligência Emocional no trabalho

inteligência emocional no trabalho

Mas você sabe por que é tão importante ter inteligência emocional no trabalho? A resposta é simples. Não existe vida pessoal e vida profissional, tudo isso faz parte da sua vida. Ou seja, no fim tudo se trata de relacionamento entre pessoas e suas emoções, comportamentos e ações. 

Cada vez mais as empresas estão contratando ou reconhecendo os profissionais por suas capacidades comportamentais. O conhecimento técnico hoje é commoditie, algo que se desvaloriza com muita rapidez, dado a velocidade de tecnologias emergentes. 

Um profissional que sabe se adaptar, lidar com pessoas, sabe ouvir, não se deixar levar pelo calor de uma discussão, tem curiosidade genuína sobre os demais e sabe administrar suas emoções é valorizado como um astro de futebol. 

Da mesma forma, quando entramos no quesito liderança, essa habilidades comportamentais são pré-requisitos. Um líder precisa ter uma boa dose de inteligência emocional para conseguir administrar e desenvolver pessoas com perfis diferentes mirando em um propósito comum. 

Quais os comportamentos de uma pessoa inteligente emocionalmente

Para que você possa identificar uma pessoa que tem maturidade de inteligência emocional basta que você observe seus comportamentos. Por exemplo:

  • Pensamento positivo.
  • Flexível e de fácil adaptação.
  • Sabe dizer não.
  • Curioso a respeito das pessoas.
  • Gosta de Ouvir.
  • É grato e dá valor ao que tem.
  • Evita se comparar aos demais.
  • Entende porque em alguns momentos está bem ou mal.
  • Tem bons relacionamentos interpessoais.
  • Sabe gerir conflitos de forma pacífica.
  • É visto pelos demais como um líder.
  • Influencia de forma positiva os liderados.
  • É resiliente frente aos problemas que enfrenta.
  • Sabe trabalhar em equipe.
  • Se alinham a cultura da empresa.
  • Funcionam bem sob pressão.
  • Tem voz ativa dentro da empresa.

Como medir sua inteligência emocional

Quer saber como está a sua Inteligência Emocional ? Coloquei um gratuito que você pode fazer para se autoavaliar.

teste de inteligência emocional

Se você gostou desse conteúdo aqui está outro artigo que com certeza vai te ajudar a entender ainda mais como o seu cérebro funciona. Ansiedade

Ansiedade: o mal do século no contexto do mundo VUCA.

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